10 Mitos sobre Tradução

11. mitos

Encontrei um artigo no Huffington Post que achei muito interessante, portanto decidi partilhá-lo convosco. Este artigo fala da tradução como algo que tem impacto na sociedade, política, economia, mas que muito do conhecimento geral sobre tradução tende a não ser verdade. Apresentam de seguida 10 mitos sobre tradução. (Tenha em conta que o artigo foi escrito inicialmente para um público-alvo baseado nos Estados Unidos da América)

  1. A tradução é um pequeno nicho do mercado. O mercado global para serviços linguísticos externos tem um valor que supera os 29 milhares de milhões em 2012. A maior parte deste mercado centra-se em tradução escrita, seguida de interpretação no local e localização de software. Existem mais de 26.000 pequenas agências espalhadas pelo mundo que oferecem este tipo de serviços de tradução.
  2. A necessidade da tradução é cada vez menos. O Gabinete de Estatísticas do Trabalhos dos EUA estima que existirão 83.000 postos de trabalho para intérpretes e tradutores em 2020 apenas nos Estados Unidos da América. Estima-se que este mercado crescerá 42% de 2010 até 2020, um crescimento significativamente superior à média para todas as profissões, que é de 14%. Dados da Common Sense Advisory apontam para uma taxa anual de crescimento composta de 12.17%.
  3. A maioria dos tradutores traduz livros, e a maioria dos intérpretes trabalha na Organização das Nações Unidas. Tradução literária e interpretação de conferências são duas das especializações mais visíveis, mas na verdade representam segmentos muito pequenos do grande mercado que é a tradução.
  4. Qualquer pessoa bilingue pode ser um tradutor ou intérprete. A capacidade de falar duas línguas não significa que uma pessoa consiga traduzir e interpretar profissionalmente, transportando o significado e sem distorcer a mensagem no processo.
  5. Os intérpretes e tradutores fazem a mesma coisa. Um tradutor trabalha com língua escrita e um intérprete trabalha com língua falada, ou seja, cada profissão requer um leque de capacidades muito distintas.
  6. Os tradutores e intérpretes trabalham com mais de duas línguas. Esta pergunta é frequentemente feita a tradutores e intérpretes, mas na realidade é muito mais comum trabalharem apenas numa combinação de línguas, pois é melhor saber duas línguas a fundo que muitas, mas apenas o básico.
  7. A tradução só interessa para “pessoas de línguas”. Cada vez mais empresas estão a perceber que usar serviços de tradução permite à empresa entrar em novos mercados e ter mais rendimento.
  8. Crowdsourcing deixa os tradutores profissionais sem trabalho. Normalmente quando fazem este tipo de coisas acabam por gastar mais do que se contratassem um tradutor para fazer a tradução, portanto acaba por não ser vantajoso para as empresas.
  9. A tradução automática faz com que as pessoas percam interessa em tradução humana. Na verdade, a tradução automática tem ajudado á expansão da procura por tradução humana. Os seres humanos são necessários para usar a tradução automática de forma inteligente, algo que acontece com a maioria das tecnologias.
  10. Todas as traduções serão um dia gratuitas. A industria da tradução e interpretação tem ajudado à criação de dezenas de milhares de postos de trabalho à economia global anualmente, e não se prevê um decréscimo. Um estudo da Common Sense Advisory mostra que a procura por tradução tem sido maior que a oferta, portanto tradutores humanos estão a tornar-se cada vez mais importantes.

Fonte:

http://www.huffingtonpost.com/nataly-kelly/clearing-up-the-top-10-my_b_1590360.html

Localização, Internacionalização e Globalização

A localização envolve pegar num produto e torná-lo linguisticamente e culturalmente apropriado para o local de destino (país / região e idioma) onde ele será usado e vendido. A palavra “localização” é relacionada com “local”, um termo usado para referirmo-nos a um mercado-alvo específico. A localização envolve mais do que apenas tradução. As complexidades da localização podem ser reduzidas, prevendo-se as dificuldades e preparando-se para elas na primeira versão do produto. Quando isso é feito, as empresas economizam tempo e dinheiro e podem oferecer produtos de melhor qualidade. Esse processo é chamado de “internacionalização”:

A internacionalização é o processo de generalização de um produto para que ele possa lidar com múltiplas linguagens e convenções culturais sem a necessidade de re-design. Internacionalizar um programa significa lidar com exigências como os caracteres acentuados que serão necessários nas versões localizadas. Por exemplo, ao projetar botões “Cancelar” que são muito mais longos do que a palavra inglesa “Cancel”, eles permitem traduções mais longas em outros idiomas (“Annular” em espanhol), para que não haja necessidade de redimensionar o botão para exibir a tradução espanhola.

Globalização é o que é necessário fazer em termos de negócios para tornar um produto global. A globalização de produtos de alta tecnologia envolve a localização em depois da internacionalização apropriada, e do design do produto, bem como o marketing, vendas e suporte no mercado mundial. Poderíamos assim dizer que a globalização é um modo de organização que usa a internacionalização para se preparar para a localização.

Então, a tradução é parte da localização, ou vice-versa? A resposta depende da pessoa a quem perguntar. Os desenvolvedores de software argumentam que a tradução é apenas uma das muitas mudanças que um programa precisa passar para ser localizado. Os professores universitários de tradução, por outro lado, argumentam que a localização é apenas um nome extravagante para o ato de adaptar um texto para um público-alvo específico, algo que os tradutores fazem há muito tempo.

Fontes:

http://www.intercultural.urv.cat/media/upload/domain_317/arxius/Technology/BiauPym_Technology.pdf

Memórias de Tradução

As memórias de tradução são programas que criam bases de dados de segmentos de partida e chegada de maneira a que esses pares de segmentos possam ser reutilizados. Estas ferramentas são uma ajuda valiosa para a tradução, principalmente naqueles textos com termos e frases repetidos. Isto acelerou o processo de tradução e reduziu os custos e isso levou a uma maior procura dos serviços de tradução, no entanto isto não retira trabalho aos tradutores, é simplesmente uma ajuda. As memórias de tradução mudam a maneira como os tradutores trabalham, porque se lhe é fornecido uma base de dados de memória é esperado que siga a terminologia e fraseologia dos pares de segmentos incluídos nessa base em vez de escrever o texto usando a sua própria decisão terminológica e estilo. Permitem também que vários tradutores e revisores trabalhem na mesma tradução.

Os tradutores reusam traduções antigas quando clientes lhes pedem para trabalhar com sistemas de memória de tradução e depois reduzem as taxas do tradutor. Quanto mais segmentos iguais ou semelhantes existirem na memória, menos eles pagam. Os tradutores têm de trabalhar mais rápido e sem reclamações com segmentos já traduzidos que acaba por reduzir a qualidade. Quando uma maior qualidade é necessária, devemos rever os resultados das ferramentas de memória de tradução.

Os textos atualizados não são traduzidos do zero, mas sim pré-traduzidos com uma ferramenta de memória de tradução, traduzindo apenas as partes modificadas. O dever do tradutor é traduzir apenas os segmentos que foram modificados, uma vez que as frases não modificadas foram recuperadas da base de dados de memória. Noutros casos, o tradutor recebe pequenos excertos que não têm qualquer relação uns com os outros para traduzir no formato RTF. O tradutor nestes casos tem de traduzir às cegas, traduzindo frases sem fazer ideia do contexto comunicativo.

Fontes:

http://www.intercultural.urv.cat/media/upload/domain_317/arxius/Technology/BiauPym_Technology.pdf

O impacto das novas tecnologias no tempo e na qualidade da produção tradutória

Este artigo foi escrito por Érika Nogueira de Andrade Stupiello. Resumindo-o, este fala sobre a internet e as ferramentas como alteradores do tempo e espaço, pois agora tudo é mais rápido e mais acessível. A internet revolucionou a comunicação e por consequência a tradução pois é possível transmitir e receber informação eletrónica muito rapidamente e em qualquer lugar do planeta. As ferramentas eletrónicas, como por exemplo dicionários digitais, glossários digitais, memórias de tradução, programas de tradução automática e bases terminológicas, auxiliam a tradução e têm feito uma transformação completa na tradução de hoje em dia. Hoje em dia a comunicação entre pessoas que estejam longe é mais fácil, pois não precisam de estar cara a cara. Contudo, ainda existem pessoas que preferem contratar uma pessoa que tenham conhecido cara a cara e em quem têm confiança quando o projeto é de grande porte.

Os textos de hoje em dia são compartilhados e melhorados por outros tradutores. Estes por vezes já recebem o texto parcialmente traduzido por programas automáticos (poupança de custos), ou apenas traduzem novos trechos inseridos ao original já traduzido. São usados programas que aproveitam traduções anteriores relacionadas com a empresa e a sua terminologia, pois acelera o processo e diminui os custos para o cliente, o que resulta no aumento de demanda por serviços de tradução. São apenas ajudas em tarefas repetitivas e não substitutos. Às vezes o seu uso já é mesmo obrigatório.

A figura do tradutor é e transmissor de significados de uma língua para outra. Contudo a atenção é focada apenas no produto e quase nada no processo, como por exemplo toda a informação linguística e cultural que o tradutor tem de adquirir para ser capaz de traduzir determinado texto, e o tempo gasto nesse processo. Num mundo que valoriza o imediato, a tradução é algo que lembra que estamos mais próximos com os outros países, mas as línguas continuam a ser barreiras. A autora finaliza dizendo que os prazos demasiado curtos podem afetar a qualidade das traduções, e é apenas benéfico em relação ao tempo gasto e que a máquina pode estar a controlar os valores temporais, pois a contratação às vezes depende do domínio dos programas.

Fontes:

http://www.gel.org.br/estudoslinguisticos/volumes/37/EL_V37N2_16.pdf